O que a ciência diz sobre o uso de ondas de choque para dores no calcanhar.

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Quando um paciente chega ao consultório com uma dor persistente na região plantar, muitas vezes já tendo passado por meses de alongamentos, troca de calçados e anti-inflamatórios sem sucesso, a discussão muda de patamar. Não estamos mais falando apenas de um processo inflamatório agudo, mas sim de uma falha na resposta cicatricial do organismo. É aqui que a Terapia por Ondas de Choque Extracorpóreas (ESWT) deixa de ser uma alternativa “moderna” para se consolidar como uma ferramenta biológica potente, fundamentada em décadas de evidências clínicas robustas.

Diferente do que o nome sugere, não se trata de um choque elétrico. O que entregamos ao tecido é uma onda acústica de alta energia que viaja através da pele até atingir o ponto de maior resistência mecânica — geralmente a interface entre a fáscia plantar e o osso calcâneo. A ciência por trás disso reside na mecanotransdução. Esse fenômeno ocorre quando o estímulo mecânico físico é convertido em sinais químicos intracelulares. Na prática, estamos “enganando” o corpo para que ele reinicie um processo de cura em uma área que se tornou crônica e degenerativa. Do ponto de vista técnico, a ESWT atua em frentes específicas: Neovascularização:

A aplicação estimula a expressão de fatores de crescimento angiogênicos, como o VEGF, promovendo a formação de novos microvasos que levam oxigênio a um tecido cronicamente mal irrigado. Efeito Analgésico: Ocorre uma hiperestimulação dos nociceptores e uma redução local da Substância P, o que eleva o limiar da dor quase que imediatamente após as sessões iniciais. Fragmentação de Calcificações: Em casos de entesopatias calcificantes (o famoso esporão, quando associado à dor), a energia cinética pode ajudar na reabsorção desses depósitos de cálcio pelo próprio organismo.

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